Ninguém é dono de ninguém

Se você, mulher, se vê em uma relação onde precisa medir palavras, esconder sentimentos, justificar cada passo… isso não é amor. É controle.

Gladyston Santana | 21/03/2026

Ninguém é dono de ninguém

Ninguém é dono de ninguém (Freepik)

Confesso que esse é um assunto que me preocupa.
Ainda existem muitos homens estúpidos que enxergam a mulher como propriedade, e não como companheira — como a própria Bíblia ensina. E isso, para mim, é grave. Tem um tipo de homem que não ama — ele possui. E o mais assustador é que, muitas vezes, isso não começa com gritos. Começa com cuidado demais, com controle disfarçado de zelo, com frases que parecem proteção, mas são prisão.

“Eu só quero saber onde você está.”
“Essa roupa não combina com você.”
“Não gosto das suas amizades.”

Aos poucos, a mulher vai diminuindo. Vai se moldando. Vai se calando.

E quando percebe… já não é mais ela.

Eu não sou especialista no assunto. Mas sou alguém que observa, que ouve histórias, que vê de perto o quanto isso ainda é comum — e perigoso. Relações abusivas não são raras. Elas estão mais perto do que a gente imagina. Às vezes na casa ao lado. Às vezes dentro da própria família.

E sair disso… não é simples.

Quem está de fora costuma dizer: “é só ir embora”.
Mas quem está dentro sabe: não é “só”.

Existe o medo.
Existe a dependência emocional.
Existe a manipulação constante.
Existe o ciclo: machuca, pede perdão, promete mudar… e tudo recomeça.

E existe, principalmente, o psicológico já abalado, que faz a mulher duvidar de si mesma.

Recentemente, o Brasil inteiro acompanhou o caso de um tenente-coronel da PM que supostamente matou uma soldado. Um caso que chocou o país e reacendeu discussões importantes sobre relações, poder e violência.

Sem entrar em detalhes ou afirmar o que não sabemos, situações assim nos fazem refletir sobre como certos comportamentos, muitas vezes, passam despercebidos, são minimizados ou não recebem a devida atenção — até que seja tarde demais.

Isso não nasce do nada.
Isso cresce onde o respeito morre.

O que me preocupa — de verdade — é como ainda romantizamos certos comportamentos. Como ainda tratamos ciúme excessivo como prova de amor. Como ainda ensinamos, mesmo sem perceber, que a mulher deve “aguentar mais um pouco”.

Não. Não deve.

Amor não aprisiona.
Amor não diminui.
Amor não machuca.

Se você, mulher, se vê em uma relação onde precisa medir palavras, esconder sentimentos, justificar cada passo… isso não é amor. É controle.

E controle pode virar violência.
E violência pode virar tragédia.

Falar sobre isso não é exagero. É necessidade.

Que mais mulheres encontrem força para sair.
E que mais pessoas parem de fechar os olhos para sinais que gritam.

Porque ninguém é dono de ninguém.